Andava por entre algumas ruas desconhecidas, com umas casinhas iguais as outras, execeto pela cor de cada uma. Parecia um reinozinho encantado, havia luzes que brilhavam tanto no interior do aconchegante conjunto de casas, quanto na rua de uma alegria incomparavel. Havia crianças brincando; algumas pulando amarelinha, outras pulando corda, as maiores brincavam de verdade ou desafio. Os adultos todos sentados entre duas casinhas que possuiam uma enorme e linda arvore em frente a calçada de cada uma. Trazia uma sombra deliciosa. Todos muito felizes aparentemente.
Comecei a andar e observa-los com curiosidade, nunca tinha visto algo tão incrivel assim. Fiquei fascinada com aquilo tudo, me deliciei com a sensação que aqueles adultos, aquelas crianças, aquelas ruas me traziam.
Fiquei um instante parada do lado oposto em que se encontravam, para admirar melhor aquilo tudo. De repente, vi um tanto afastado dos demais, alguém sentado com a cabeça enconstada em um tronco de uma árvore ainda maior que as outras duas onde encontrava-se os adultos. Não soube explicar, porém apesar dele não estar brincando, tagarelando e gargalhando como os demais, havia um brilho, uma luz, não sei… havia algo que não conseguia descrever - ou mesmo enxergar – que ninguém mais ali tinha. Aquilo me fascinou mais ainda, não me contive e me aproximei.
Primeiro o observei um pouco timida alguns metros longe, mas de repente me vi andando e sentando ao seu lado.
Depois de um longo tempo perguntei:
- Por que não está com os outros?
- Porque estava a sua espera sua boba – disse ele, e em seguida me fitou profundamente e abriu um largo sorriso.
Conversamos durante toda a tarde, e boa parte da noite. Brincamos com as crianças, e eu me diverti como se nunca tivesse tido infância. Conversamos com os adultos, e eu disse coisas realmente sérias com uma maturidade que nem mesmo eu conhecia que possuia. Depois voltamos a árvore onde eu o encontrei, simplesmente ele era perfeito. Tudo nele havia me cativado, exatamente tudo!
Depois de um longo silencio, fui a primeira a quebrá-lo como na primeira vez:
- Não sei que tipo de sonho é esse, mas sei que como qualquer outro sonho logo vou acordar. No entanto, juro que se tivesse a opção de escolher, pediria para viver aqui para sempre, mesmo sabendo que nada disso é real. As ruas, as casinhas, as crianças, os adultos, tudo aqui… até mesmo você, é surreal, impossivel de existir no meu mundo real - uma lágrima caiu de meus olhos.
Ele me fitou como na primeira vez, secou meus olhos, me deu um beijo apertado na testa, abraçou-me e disse:
- Minha menina, não chore – sorriu- Quando se quer muito algo, o céu nos ouve. Agora sou parte deste sonho, porém realidade do teu desejo, assim como você é pra mim. A gente ainda vai estar juntos, mas não na sua realidade como disse, mas na nossa, eu prometo!
Despertei sem que antes pudesse dizer mais alguma coisa. Levantei-me como todos os outros dias, não sabia porque, mas inevitavelmente tentava encontrar aquela rua, aquelas pessoas, ele – pois na verdade, ele era tudo o que realmente me importava. Passou-se algumas semanas, e eu resolvi aceitar que tinha de parar de esperar por algo que não era real.
Andando distraidamente, pensando em alguma banalidade esbarrei em alguém, levantei a cabeça para pedir desculpas…
- Não foi apenas um sonho! – quase gritei automaticamente, meus olhos começaram a lagrimejar, meu coração pulsou descontroladamente.
- Não amor, o inicio da nossa realidade!
Naiara Lima.